O Amor

Atualizado: 10 de set. de 2020

O amor, um sentimento que tanto ansiamos e acreditamos possuir é muitas das vezes confundido dentro de nós por influências, características e concepções externas, impostas por um ponto de vista egoísta e material.

É algo um tanto difícil de descrever e talvez a organização de belas palavras não seja o suficiente para expressar o que esse sentimento pode realmente significar.


Numa sociedade onde o mundo material e a ilusão consome os seres humanos, o sentimento de amor nunca foi visto como uma prioridade a ser inspirada e despertada em cada indivíduo, muito pelo contrário, esse sentimento foi sendo cada vez mais disseminado de maneira deturpada com o propósito de aprisionar cada vez mais os que têm sede por ele, encobrindo seu significado com romantismos e apegos.


Acreditamos amar algo ou alguém e como num piscar de olhos aquele sentimento que antes era ardente e convicto, vira um desconforto e um grande descontentamento quando não é capaz de suprir nossas expectativas. Acabamos frustrados e vazios, buscando no ambiente externo preencher as lacunas da nossas necessidades, projetando no outro e nos objetos dos sentidos uma falsa realização, superficial e momentânea.


Mas será que o amor é mesmo algo tão transitório? Ou apenas desconhecemos ao certo o que ele realmente mobiliza dentro do nosso ser mais íntimo?


Amar é verbo transitivo, quem ama, ama alguém, ama algo e esse amor deve ser manifestado através do serviço ao bem, ao próximo, a Terra e a toda criação. O amor é na verdade a grande inspiração, o incentivo da existência e do fluir da vida, é incondicional sobre toda causa, não é dual, mas objetivado no bem maior. O amor se realiza na doação, realiza-se em si mesmo, não é carente de atenção, não é passivo e só espera o bem do ser amado, é uma construção da vontade humana onde o indivíduo se permite através das experiências e aprendizagens que adquire durante a vida descobrir que só se pode sentir o verdadeiro amor, em sua completude, quando há conexão com seu propósito, quando há devoção e entrega nas ações e atitudes, acolhimento e renúncia, respeito e aceitação, não conivência, mas compaixão por tudo e todos.


No Bhagavad Gita, esse amor por todas as formas é descrito como Bhakti-yoga, o yoga da devoção, do amor puro (Prema), o amor universal. No Bhakti-yoga toda ação, pensamento e serviço é executado e oferecido ao Ser Supremo (Criador) como forma de oferenda e agradecimento, fazendo das atividades e rotinas da vida uma constante entrega a aquele que tudo cria e transforma. Os bhaktas, ou o praticantes de bhakti buscam a liberação dos prazeres mundanos, abandonando todos os desejos e ilusões do mundo material, entregando suas vidas ao eterno serviço ao bem da humanidade, fazendo isso através da difusão das palavras e atitudes de bem-aventurança deixadas como herança pelos antigos mestres nos textos sagrados. Viver em Bhakti seria viver uma vida em constante adoração e agradecimento pelas diversas formas de existência e experiências, sabendo que nada nos pertence e que tudo é transitório e mutável no mundo material. Vivendo em bhakti o praticante busca em suas atividades alcançar um estado de completude e unidade com todo universo e com Aquele que o criou, buscando conhecer o amor dentro de si mesmo através do serviço prestado com devoção e consciência.


E sendo um sentimento imensurável, o amor pode se manifestar de diversas formas, seja num abraço, numa gentileza, no autocuidado e no cuidado ao próximo, no respeito e acolhimento, num gesto de agradecimento, no reconhecimento, num sorriso, na caridade, e entre outros aspectos, até mesmo no sussurrar de uma linda canção.


Num exemplo simples, Krishna diz no Bhagavad Gita:


“O que quer que você faça, o que quer que você coma, o que quer que você ofereça em sacrifício, tudo o que você der e qualquer promessa que você mantenha – faça isso como uma oferenda a mim.” (cap. 9:27).

“Se a pessoa Me oferece com devoção uma folha, flor, fruta ou água, EU aceito essa oferenda do devoto de coração puro.”(cap. 9:26).


Portanto, pouco importa quais são suas ações, poses, tarefas e deveres, desde que oferecidos de coração e pensamento puro ao Ser Supremo essa oferenda se torna uma oferenda de amor, um tesouro de grande valor aos olhos daquele que tudo vê, pois o verdadeiro valor não estará exposto no valor material ao qual se destina a concepção dos homens, mas sim no valor da verdadeira intenção de quem oferece com gratidão e adoração aquilo que têm, sabendo que nada possui nesse plano material.


Yogananda em seu livro “ Onde existe luz”, reforça esse pensamento quando diz: quando, de maneira persistente e altruísta, você executar todas as ações com os pensamentos inspirados pelo amor de Deus, Ele virá a você. Então você compreenderá que é o oceano da vida que se tornou a pequena onda da existência individual. Quando, em cada ação, você pensar Nele antes, durante e depois de agir, Ele se revelará a você...Qualquer que seja a sua atividade, você sempre está livre para sussurrar a Deus seu amor, até que receba, conscientemente sua resposta. Essa é a maneira mais segura de entrar em contato com Ele em meio à louca agitação da vida contemporânea”.


Por isso, não deixe de buscar esse amor infinito e incondicional nas coisas simples, veja a essência do Divino em cada ser, em cada passo, em cada ação, agradeça sempre! Só assim iremos descobrir o que realmente esse amor faz mover dentro de cada um de nós. Vivencie o amor.


Que todos os seres sejam felizes e haja Paz! Namastê!